A Internação Psiquiátrica: anjo ou demônio?

Internação

O assunto internação psiquiátrica se tornou objeto de intensas controvérsias, de posicionamentos, os mais polarizados: não será nenhuma novidade afirmar que de um lado estão os que vêem nela algo ultrapassado, algo maquiavélico, quem sabe demoníaco mesmo; de outro lado, num posicionamento absolutamente sem paixões e não mais que técnico, médico, uma visão clara de sua necessidade em determinadas situações que beiram as questões de vida ou morte.

O primeiro posicionamento assume características ideológicas, estando intimamente ligadas a questões como a liberdade e o direito de escolha. Os defensores desta posição utilizam de exemplos do passado para provar que a internação psiquiátrica é sempre baseada na perda dos direito mencionados. Os que defendem esta tese, o fazem estimulando uma confusão entre dois conceitos distintos e até antagônicos: a internação e o asilamento ou melhor dito, confinamento.

É clara a diferença entre estes dois conceitos, e é obrigatório que se esclareça: o segundo não é um ato das profissões da saúde, mesmo que no passado estes profissionais tenham, de uma forma ou de outra, participado – e seria possível discutir se esta participação foi positiva ou não – destas instituições. Seja como for, não somos favoráveis a elas e o que entendemos como internação é muito diferente, se assemelhando ao que se vê em outras áreas da medicina.

Uma internação só se justifica quando o isolamento se dá para proteger o paciente, as pessoas que o rodeiam ou
ambos. A internação necessariamente deverá levar a um resgate do bem estar da pessoa internada e/ou do grupo
a que pertence, ganhando com isto, sempre que possível, os dois lados.

A internação deve não só proporcionar proteção, mas é comum que também facilite processos muitas vezes complexos de diagnóstico ou a aplicação de terapêuticas que de outra forma seriam de difícil ou arriscadas aplicações.

Enfim, a internação psiquiátrica nem é demoníaca nem angelical, se trata de uma necessidade como muitos certamente comprovam. A ausência desta possibilidade não tem contribuído para o bem estar, principalmente dos menos favorecidos.

*Dr. Élio Luiz Mauer
Psiquiatra e Gerente Médico da Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida (UNIICA)

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