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Borderline

6 de abril de 2016

O que é a personalidade?

São manifestações comportamentais que expressam o estilo de vida e o modo de se relacionar de um indivíduo, consigo mesmo e com os outros, dentro de um contexto social. É o elemento estável da conduta de uma pessoa; sua maneira habitual de ser; aquilo que a distingue de outra; traços típicos; originalidade; ou seja, é o que faz de uma pessoa ser tão diferente da outra.

O que é o transtorno de personalidade?

É uma classe de Transtorno Mental que se caracteriza por padrões de interações interpessoais diferentes do esperado para o cotidiano, na qual o desempenho do indivíduo tanto na área profissional como em sua vida privada podem ficar comprometidos. Representa os desvios extremos ou significativos que o indivíduo expressa, percebe, pensa, sente e se relaciona em uma determinada cultura. Eles podem preceder ou coexistir com outros transtornos. Quando falamos e pensamos na palavra transtorno, pensamos em algo que saiu do habitual, da rotina ou podemos dizer ainda, que saiu das condutas esperadas pela sociedade. Na maioria das vezes o indivíduo não apresenta motivação para seu tratamento, pois seus traços de caráter não trazem sofrimento a si mesmo, porém geram dificuldade em sua adaptação com o meio e com as demais pessoas que o cercam, afastando amigos e familiares. Frequentemente são necessárias várias entrevistas para determinação do diagnóstico. Os transtornos de personalidade podem ser classificados de diferentes modos. Seus principais representantes são os Transtornos de Personalidade Paranóide; Esquizóide; Anti-Social; Emocionalmente Instável com os tipos impulsivo e borderline ou limítrofe;  Histriônica; Anancástica; Ansiosa e Dependente.

O que é e quais as características do transtorno de personalidade emocionalmente instável tipo borderline (TPEIB)?

O transtorno é caracterizado por instabilidade emocional, impulsividade, manifestações inadequadas de raiva, baixa autoestima, tendência ao suicídio, insegurança, não aceitar críticas e regras, intolerância a frustrações e o medo pelo abandono. O portador do transtorno tende a ter seus relacionamentos sempre intensos, confusos e desorganizados. Mudam seus conceitos sobre as pessoas e seus sentimentos de forma muito rápida, tendo suas qualidades anteriores, atualmente desvalorizadas. Indivíduos com TPEIBpodem ser incomodados por sentimentos de vazio crônicos, sentimentos de rejeição e abandono, não importando se isso é real/verídico ou fantasioso. Os primeiros sintomas tendem a aparecer durante a adolescência, persistindo geralmente por toda a vida. As mulheres fazem parte de um universo mais representativo dos portadores deste transtorno. A fase inicial pode ser desafiadora para o paciente, seus familiares e terapeutas. Porém, na maioria dos casos a severidade do transtorno diminui com o tempo. Como os sintomas tornam-se perceptíveis, a família costuma supor que a rebeldia, a impulsividade, o descontrole emocional, a instabilidade e a diferente percepção de valores são típicas da idade, não fazendo ideia de que estão diante de um distúrbio grave. São pessoas com um grau de afetividade muito grande sobrevalorizando as situações, sendo as boas vistas como excelentes e as ruins como péssimas.

Quais suas possíveis consequências?

As principais consequências são evidenciadas nas relações disfuncionais com o parceiro, trabalho e familiares. As pessoas portadoras do transtorno tem dificuldade em permanecerem empregadas, com relacionamento interpessoal estável dentro de uma união conjugal ou entre parentes próximos. A doença traz um sofrimento psíquico importante ao indivíduo tendo por consequência o risco de suicídio. Este claramente um ato corriqueiro no portador do transtorno.

Exige e existe tratamento? Como é este?

Esta doença necessita tratamento mesmo em casos leves. Atualmente nos casos leves a graves realizamos tratamento psicoterápico delegando o uso de medicamentos as comorbidades associadas. A realização de psicoterapia é fundamental para a maior estabilidade emocional futura. A realização de psicoterapia deve ser semanal buscando maior conscientização dos atos/comportamentos/ações promovidos visando melhora nos relacionamentos interpessoais. As principais técnicas utilizadas são a interpessoal, cognitivo-comportamental e o treinamento de habilidades sociais.

É necessária a internação? Quando?

Infelizmente a internação pode ser necessária. O internamento psiquiátrico é visto como um recurso existente, importante e válido principalmente quando os sintomas apresentados são graves o bastante para colocar em risco a integridade física do paciente e de seus familiares. Para os casos mais graves, como o tempo de resposta ao tratamento psicoterápico é lento, a proteção do paciente e de seus familiares justifica a utilização de um ambiente protegido e seguro. Seu familiar nem sempre poderá proporcionar este quadro em domicilio evidenciando a necessidade do tratamento em regime hospitalar.

Que medicamentos são usados? Viciam?

Atualmente existem diversos agentes psicotrópicos capazes de promover a melhora do paciente. As medicações não são o tratamento de primeira escolha e são mais usadas para o tratamento das comorbidades. Alguns exemplos são os anticonvulsivantes e os antipsicóticos atípicos. Eles não trazem o risco de causar dependência. Como todo medicamento existe efeitos colaterais e interações medicamentosas a serem consideradas no momento da escolha. Caberá ao médico o amplo esclarecimento dos riscos e benefícios advindos do tratamento e a necessidade de utilização dos mesmos.

Dr. João Luiz da Fonseca Martins

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