Pílulas de Realidade: Por que a desinformação na saúde pode custar caro?

O Dia da Mentira tem origem incerta, mas a explicação mais aceita remete à transição do Calendário Juliano para o Gregoriano no século XVI, quando a França mudou o início do ano de abril para 1º de janeiro. Aqueles que resistiram à mudança ou a desconheciam continuaram celebrando o Ano Novo em abril, tornando-se alvos de piadas e sendo chamados de “tolos”. A data também guarda semelhanças com festivais antigos, como a Hilária romana e o Holi indiano, enquanto no Brasil a tradição se consolidou em 1828, após o jornal mineiro “A Mentira” publicar uma notícia falsa sobre a morte de Dom Pedro I.

No dia 1º de abril, o mundo brinca com as “mentiras inofensivas”. Mas, quando o assunto é saúde, as mentiras são tudo, menos inofensivas. Elas geram medo, atrasam tratamentos e alimentam preconceitos que já deveriam ter ficado no passado.

Na UNIICA, acreditamos que a transparência é o primeiro passo para o cuidado. Por isso, reunimos nossos especialistas em Psicologia, Psiquiatria e Farmácia para dar um “banho de realidade” em quatro mitos que ainda ouvimos muito por aqui.

1. “Estou tomando remédio, então não preciso de terapia”

É comum ouvir que a medicação é o “atalho” e que a terapia seria dispensável. A verdade? Um não substitui o outro; eles se dão as mãos. Enquanto o medicamento atua na regulação biológica, trazendo estabilidade e aliviando sintomas urgentes, a psicologia olha para o que o paciente vive. Segundo nossa psicóloga Vitória Garcia (CRP 08/45880), a terapia ajuda a entender pensamentos e comportamentos. O remédio equilibra a biologia, mas é na terapia que você ganha autonomia e consciência sobre a sua própria história. “A psicologia vai além do alívio imediato: ela ajuda a entender o que o paciente vive, seus pensamentos, emoções e comportamentos. Dar espaço para essa história é um passo importante para viver com mais consciência, responsabilidade e autonomia”, afi rma a psicóloga.

2. O estigma do “coisa de maluco”.

Ainda existe um medo antigo em torno da Psiquiatria. Muita gente evita buscar ajuda por receio de rótulos. Mas a ideia de que o psiquiatra é para quem “perdeu o juízo” ficou num passado sem ciência e sem humanidade. Hoje, a psiquiatria é baseada em evidências. Tratar ansiedade ou depressão não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade com você mesmo. Como reforça o Dr. Vinicius Belinati, pessoas extremamente bem-sucedidas já falaram abertamente sobre isso. Cuidar da mente é tão vital (e normal) quanto cuidar do coração ou dos pulmões. Não se trata de ser “normal” ou “anormal”, trata-se de ser humano. “Hoje, a psiquiatria é ciência. É cuidado. É baseada em evidências científicas, com tratamentos eficazes, medicamentos seguros e uma compreensão muito mais profunda sobre emoções, comportamento e cérebro. Lembre-se: procurar um psiquiatra não é sinal de fraqueza. É sinal de consciência. De responsabilidade. De autocuidado. E mais: você não está sozinho nisso. No fim das contas, não é sobre ser ‘forte’ ou ‘fraco’. Não é sobre ser ‘normal’ ou ‘anormal’”, conclui o médico.

3. “Quanto mais forte o antibiótico, melhor”.

No campo da Farmácia Clínica, o termo “forte” é um dos maiores mitos. A farmacêutica Thais Oliveira explica que não existe um antibiótico  universalmente superior. O que existe é o antibiótico certo para o microrganismo certo.

Usar um medicamento potente sem necessidade não cura mais rápido; pelo contrário, pode criar superbactérias resistentes e prejudicar sua flora intestinal. No hospital, usamos exames de cultura para sermos certeiros. O foco é o uso racional: a dose certa, pelo tempo certo, para o alvo certo.  “Usar antibióticos de amplo espectro sem necessidade pode:

● Favorecer resistência bacteriana

● Causar efeitos adversos graves

● Prejudicar a microbiota do paciente

Em farmácia clínica, o foco é o uso racional de antimicrobianos (antimicrobial stewardship)”, aponta a farmacêutica.

4. O mito da medicação na veia

Muita gente se sente “mais bem tratada” quando recebe medicação intravenosa (o famoso “soro com remédio”). Mas a verdade é que, se o paciente está estável, o comprimido pode ser tão efi caz quanto a agulha.

A via intravenosa é essencial em casos graves, mas mantê-la sem necessidade aumenta o risco de infecções na corrente sanguínea e prolonga o tempo de internação. Um dos papéis fundamentais da nossa equipe é identifi car o momento seguro de passar o tratamento para a via oral, garantindo que o paciente se recupere com o menor risco possível.

“Muitos medicamentos têm excelente biodisponibilidade oral, ou seja,
funcionam tão bem quanto IV quando o paciente está estável. Manter IV sem necessidade pode:

● Aumentar risco de infecção (ex: corrente sanguínea)

● Elevar custos hospitalares

● Prolongar internação”, concluiu a farmacêutica.

Informação de qualidade é o melhor remédio contra o medo. Neste Dia da Mentira, escolha a verdade. Escolha o cuidado baseado em ciência e empatia.

Se você tem alguma dúvida sobre tratamentos ou quer entender melhor como nossa equipe multidisciplinar trabalha, entre em contato conosco ou deixe seu comentário abaixo.

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