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TRANSTORNOS DE ANSIEDADE: conheça a doença que atinge cada vez mais pessoas

19 de dezembro de 2017

A ansiedade é uma doença que está cada vez mais presente em nossa sociedade. Para a ciência, é considerado normal apresentar um quadro de ansiedade na iminência de eventos cotidianos importantes, como, por exemplo, uma entrevista de emprego ou a realização de uma viagem. Nesses casos, há o nervosismo natural e a expectativa diante de um acontecimento novo, que causa alteração na alimentação, insônia pontual, entre outros sintomas.

No entanto, a ansiedade deixa de ser considerada normal e passa a ser vista como uma patologia quando ultrapassa esse limite e começa a interferir na rotina da pessoa, impedindo que ela consiga executar as atividades que a deixam ansiosa. Nesses casos, é preciso procurar um profissional de saúde especializado, como alerta a psicóloga clínica, Carolina Batista, que atende diariamente pacientes com essa doença na Uniica – Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida. “Todos nós temos um pouco de ansiedade, porém, quando ela começa a trazer danos ao indivíduo, é preciso buscar ajuda. Essa é a ansiedade patológica, que apresenta alguns sinais de alerta, como: alteração no humor (a pessoa fica mais intolerante e agressiva), alteração no sono, dificuldade para se concentrar e interferência na alimentação – ou a pessoa come demais ou perde o apetite”, explica. De acordo com a psicóloga, essa é uma ansiedade que paralisa e traz prejuízos na funcionalidade do ser humano. “Por esse motivo ela se difere da ansiedade positiva, aquela que antecede eventos importantes – como, por exemplo, uma prova de vestibular ou uma entrevista de emprego – mas depois passa”, completa.

Quais são os tipos de transtornos?

O médico psiquiatra, Dr. João Luiz Martins, responsável técnico pela Clínica Uniica, explica que as principais patologias ansiosas são subdividas em transtorno de ansiedade generalizada – TAG, transtorno de pânico, transtorno de ansiedade social, transtorno de ansiedade específico, transtorno misto depressivo-ansioso e transtorno de estresse pós-traumático.

Ele explica que os transtornos de ansiedade apresentam manifestações emocionais e físicas muito aparentes. Em um quadro de ansiedade, a pessoa pode sentir medo, insegurança, sensação de desespero e angústia, além de apresentar sintomas físicos, que podem ser facilmente confundidos com sintomas clínicos, tais como sudorese nas mãos, aperto no peito, falta de ar, sensação da garganta fechando e até mesmo taquicardia. “Por isso que existe aquela manobra de fazer com que a pessoa respire dentro de um saco de papel, pois assim ela consegue controlar o ritmo respiratório e, como resultado, ficar mais calma”, explica.

Quem pode ter um transtorno de ansiedade?

Qualquer pessoa está predisposta a ter um quadro de ansiedade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, atualmente, 3,6% da população mundial sofre com transtornos de ansiedade e 30% apresentará um quadro de ansiedade ao longo da vida. Dr. João Luiz completa que atualmente a ansiedade perde apenas para a depressão como a doença que causa maior incapacidade para o trabalho.

Segundo Carolina Batista, essa estimativa é muito coerente. “Estamos cada vez mais acelerados, recebemos muita informação o tempo todo de diversas mídias, tudo está mais descartável, em geral, não temos mais um momento de descanso e de reparação total como deveríamos e tudo isso colabora para que fiquemos ainda mais ansiosos”, alerta.

Quando buscar tratamento?

Quando familiares, amigos ou até mesmo a própria pessoa perceber alguns dos sinais citados anteriormente, é necessário procurar ajuda especializada. “Quando o evento já passou e a sintomatologia continua – a pessoa está sempre nesse padrão ansioso e mesmo sem nenhum estímulo permanece constantemente ansiosa – é necessário procurar um profissional de saúde, médico ou psicólogo, que irá avaliar e instituir o melhor tratamento, seja ele a psicoterapia ou o tratamento medicamentoso”, afirma Carolina Batista.

De acordo com a psicóloga, os transtornos de ansiedade se dividem em três níveis. “Existe a ansiedade considerada leve, aquela que antecede um evento; ansiedade de nível médio e nível grave, nas quais o paciente precisa de atendimento ambulatorial, psicoterápico e medicamentoso, e a de nível muito grave, que requer a internação do paciente”.

O psiquiatra, Dr. João Luiz, afirma que é comum um paciente acabar buscando o primeiro atendimento em um clínico geral ou cardiologista, por conta da frequência cardíaca acelerada, mas que há serviços de pronto atendimento psiquiátrico, como o da Uniica, que acolhem pacientes em crise 24 horas por dia e oferecem todo suporte para internação, se necessário.

Tratamento

 Para o médico Dr. João Luiz, os tratamentos são específicos e variam conforme o nível de gravidade da doença. “Para os casos considerados de leve a médio, o tratamento indicado é a psicoterapia. Para os casos mais complexos e considerados mais graves são indicadas a psicoterapia em conjunto com a farmacoterapia, lembrando que essa avaliação só pode ser feita por um psicólogo ou psiquiatra”, frisa.

Ele explica ainda que quase todos os casos são reversíveis, “exceto os casos cronificados, que são aqueles que apresentam muitos episódios ao longo da vida. Além disso, existem pacientes que preferem fazer tratamento contínuo a fim de evitar as crises”, conta.

Prevenção

 Para se prevenir da ansiedade patológica, a psicóloga Carolina ressalta que é preciso cuidar da saúde mental, tanto quanto da clínica. “O cuidado com a saúde mental é tão importante quanto o cuidado com a saúde física, porém, quando a pessoa apresenta uma dor física é comum procurar atendimento médico com rapidez, mas quando perde uma noite de sono ou tem uma alteração no apetite, por exemplo, acaba protelando até que a situação se agrave e aos poucos vá perdendo a qualidade de vida”, alerta.

Ela destaca ainda, que existem algumas medidas preventivas que podem evitar os transtornos de ansiedade. “É preciso ter em mente que a partir do momento que alguns eventos geram mal-estar repetidamente algo precisa ser feito. É preciso buscar uma qualidade de vida melhor e isso pode ser feito a partir de mudanças simples, como, instituir uma rotina de sono adequada, inserir a prática de atividade física, manter os hobbies preferidos e, principalmente, ter um momento em que você se desliga de tudo. Precisamos sair do automático e estar de fato presentes na vida”, conclui.

 

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