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Tabagismo, as dores desse prazer

17 de maio de 2016

20 novembro, 2015 às 08:17  |  por equipe do Blog Maluco Beleza

Fumar dá prazer. A nicotina inalada com a fumaça é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares, cai na circulação e chega ao cérebro num intervalo de 7 a 9 segundos.

No tecido cerebral, a nicotina se liga a receptores localizados nas membranas dos neurônios localizados em vários centros cerebrais. A integração desses circuitos é responsável pela sensação de prazer que os dependentes referem sentir ao fumar. Trata-se de uma forma de alívio imediato (porém passageiro) para a sensação de ansiedade.
Com o tempo, o fumante precisa aumentar a quantidade de cigarros para sentir o mesmo efeito (o que chamamos de tolerância). Quando tenta parar de fumar surgem sintomas desagradáveis da abstinência (humor deprimido, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, aumento do apetite, alteração do sono). Estamos falando de dependência.

A indústria do cigarro, por anos, tentou associar o tabagismo à saúde e liberdade. Curioso imaginar que alguém busque liberdade com algo tão nocivo e que cause dependência.

Ser fumante hoje está mais difícil. Fumar é cada vez menos aceito socialmente. Prova disso são as proibições cada vez maiores quanto aos locais onde é permitido fumar. Parar de fumar ficou mais fácil. Atualmente dispomos de várias opções de tratamento que aumentam as chances de sucesso e diminuem o sofrimento de quem deseja parar.

Mas voltemos à questão do prazer. Poderíamos concluir que o fumante seria um indivíduo que busca o prazer e o não-fumante um ser que se priva deste? Não. Fumar é uma escolha. Não fumar também. Quem opta por não fumar (ou por parar de fumar) está escolhendo outros prazeres dos quais o fumante abriu mão: os prazeres de uma vida saudável. Esse indivíduo, que optou por não fumar (ou parar de), não aceita os riscos de Impotência Sexual, Enfisema Pulmonar, Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral (Derrame), Câncer.

Não se trata só de morrer, afinal, desde o nascimento, a única certeza que temos é a de que todos morreremos. A questão é viver com mais qualidade, de forma mais prazerosa. Um prazer que será sentindo não de forma imediata, mas que será degustado a médio e longo prazo. A busca pelo prazer faz parte da vida.

Quais prazeres você está escolhendo para a sua?

*Doutora Carla Costa Gaiger
Médica Psiquiatra formada pela Universidade Federal de Rio Grande (FURG), com residência médica pelo Hospital São Vicente de Paula (HSVP). Atua na cidade de Curitiba, em consultório particular e no Hospital Psiquiátrico UNIICA (Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida).

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