Home/Artigos / SOU BIPOLAR, e DAÍ?

SOU BIPOLAR, e DAÍ?

17 de maio de 2016

22 outubro, 2015 às 16:04  |  por equipe do Blog Maluco Beleza

Concordemos: quando se trata de assuntos relacionados com a mente a tendência é que se crie mais preconceito do que conceito. Nada é mais representativo disto do que o conceito de “bipolar”. Se não, vejamos:  depressão parece ser hoje um conceito bem mais aceito pela população, visto como um exagero de uma situação vivida por todos – a tristeza. Não acontece o mesmo com o termo “Bipolar”, que parece mais perto da tal da “loucura” ou em termos mais técnicos, da temida “esquizofrenia”. Não é raro que pacientes ou familiares nos abordem com a trágica pergunta -”é esquizofrenia, doutor”, ou “Dr.: sou esquizofrênico?” E, no entanto, o que significa bipolar?  Quanto este conceito está perto de nossa realidade?

Pois bem, o termo bipolar está tão perto de cada um de nós quanto a depressão. Estou exagerando? Estou minimizando? Não, pois a palavra bipolar significa que o nosso paciente apresenta não apenas depressão, como também o seu oposto.  Na nossa vivência diária, chamaríamos este oposto de alegria – em oposição a tristeza, como vimos. Nas situações exageradas que em princípio são o que chamamos de “doenças” na maioria dos casos,  no caso que estamos discutindo, poderíamos falar no conceito de mania, que veríamos como o oposto do conceito de depressão.

Assim como vivemos períodos ou situações de tristeza, também vivenciamos momentos de alegria, felicidade. Ou seja, somos todos bipolares na nossa vida emocional. Quando estes pólos emocionais assumem características  exageradas ou doentias, podemos levantar a hipótese de estarmos frente a um Transtorno Bipolar. Estes “exageros” podem ser mais ou menos intensos, mais ou menos suportáveis, tanto para o indivíduo como para os que o rodeiam. Mas todos estes “exageros” necessitam tratamento pelo sofrimento que acarretam.

Não deixa de ser interessante saber que estes “exageros” acometeram grandes nomes de nossa história, e isto não os torna menos importantes, seja positivamente, seja negativamente.   Por acaso “O velho e o mar”  é menos obra prima pelo fato de seu autor  pertencer a uma família de bipolares?

Dr. Élio Luiz Mauer é Psiquiatra da UNIICA – Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida

Compartilhe