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Olimpíadas e Depressão, qual a correlação?

22 de agosto de 2016

Em tempos de Olimpíadas, falaremos sobre depressão. Mas porque este tema? O que isto tem a ver com os Jogos Olímpicos?

Neste período os medalhistas olímpicos são ovacionados e recebem o título de herois do país! Este fato trouxe à tona recentemente a história de vida da medalhista olímpica do judô Rafaela Silva. A eliminação nas Olimpíadas de Londres em 2012, de forma precoce, devido golpe irregular, penalizou a atleta e todo seu esforço na busca por consagração e reconhecimento. Com isso vieram as críticas, que somados a baixa autoestima e as dificuldades vividas em seu passado conturbado, ocasionaram o surgimento de sintomas depressivos.

Falta de ânimo, disposição, falta de prazer nas atividades cotidianas, faltas aos treinos, dúvidas quanto à sua capacidade, bullying quanto a origem humilde e cor da pele, choro fácil e desesperança fizeram a judoca abandonar temporariamente o esporte. Abdicou do talento nato para o qual fora impulsionada na sua adolescência em um projeto social na comunidade da cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

O olhar atento do técnico e seus apoiadores do projeto levaram a atleta a receber auxílio psicológico através de tratamento psicoterápico. E medicações, porque não foram utilizadas? No esporte de auto rendimento, o uso de medicações psicotrópicas caracterizam doping e afastariam ainda mais a judoca dos tatames.

Quadro depressivo de intensidade leve a moderada deve ser tratado preferencialmente com terapia, reservando apenas aos casos mais graves o uso concomitante de medicações psicotrópicas a terapia (e suas diferentes modalidades). No caso de Rafaela Silva, o tratamento psicoterápico foi a fórmula encontrada para seguir em frente com seu sonho de competir.

A possibilidade de acesso à suporte terapêutico especializado e utilização do mesmo de forma criteriosa, fizeram com que ela pudesse dar a volta por cima e mostrar que talento aliado a muito treinamento e controle mental pudessem polir e revelar o diamante bruto existente dentro dela.

Historias como esta devem servir de exemplo para pessoas que estão passando por sintomas depressivos a procurarem ajuda e conseguirem também dar a volta por cima e conquistarem seus méritos em sua vida profissional.

João Luiz da Fonseca Martins é Psiquiatra e Responsável técnico pela UNIICA – Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida

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