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Medicações psicotrópicas: o que devemos saber?

31 de maio de 2016

26 maio, 2016 às 08:00  |  por equipe do Blog Maluco Beleza

As medicações psicotrópicas apresentam características próprias de modo de ação, tempo de resposta, efeitos adversos, interações medicamentosas e duração do tratamento.

As medicações psicotrópicas agem no sistema nervoso central para produzirem seus efeitos. A resposta de neuromodulação cerebral tende a ser mais lenta que a resposta de outras medicações atuando em diferentes órgãos do corpo. Ela aparece inicialmente apenas após 3 a 4 semanas de utilização regular da substância.

Os efeitos adversos são sintomas, desagradáveis ou não, trazidos pelos medicamentos. Consideramos como sendo os sintomas advindos do uso das medicações, diferentes daqueles esperados para o tratamento da doença em questão. Exemplo: de um antidepressivo espera-se a melhora do humor. Se ele causa sonolência, observamos neste sintoma um efeito colateral da substância. Lembro ao leitor que este efeito pode ser benéfico ou não; pode ser desejado ou não. Portanto, será importante consultar seu médico, caso haja o surgimento de sintomas inesperados.

Existem muitas interações medicamentosas entre as substâncias psicotrópicas e os demais medicamentos. É sempre importante comunicar o médico de outra especialidade quanto as medicações aos quais o paciente encontra-se em uso contínuo e consultar o médico de referência quanto a possibilidade de uso conjunto com outras substâncias.

O tempo de uso dessas medicações variam conforme a doença em tratamento. Exemplo: em casos de Depressão e Ansiedade (primeiro episódio) ele deve durar pelo menos 18 meses; em casos de Esquizofrenia e Transtorno Afetivo Bipolar deve perdurar por toda a vida.

A importância da manutenção do tratamento se faz na medida em que torna-se imprescindível o uso regular dos medicamentos para evitar descompensações da doença.

Chamamos de tolerância quando o indivíduo adquire capacidade de tomar a medicação sem apresentar efeitos colaterais a mesma. O paciente se acostuma com a substância. Este é considerado um dos critérios para caracterização da dependência.

Algumas medicações psicotrópicas podem causar dependência. Elas são chamadas, mais especificamente, de benzodiazepínicos. Os famosos medicamentos “tarja preta”. Eles tendem a serem utilizados nos quadros de ansiedade aguda e/ou insônia. Seu uso deve ser restrito a algumas semanas para evitar o quadro de dependência. Infelizmente, alguns pacientes não conseguem, dentro do seu tratamento, ficar livre de sintomas sem essas medicações. Caso seu uso seja continuo, eles terão dificuldades no futuro com a interrupção destas substâncias. Na presença da dependência, e necessidade de se retirar a medicação em questão, realizamos a redução gradualmente para minimizar os efeitos colaterais da retirada.

Um dos aspectos importantes a ser salientado é que as medicações psicotrópicas não perdem a eficácia, nem o efeito com o tempo. O que pode ocorrer é a resposta da medicação não mais ser satisfatória para a necessidade do paciente em um determinado momento. Chamamos esta fase de recaída ou recorrência dos sintomas. Para tanto, a dosagem deverá ser reajustada visando a melhora psíquica do paciente.

À interrupção do tratamento deve ocorrer sempre com o acordo e ciência de médico e paciente. Algumas medicações devem ser descontinuadas de forma gradual e necessitam orientação e supervisão continua do médico assistente. Cada medicação tem um tempo de ação que deverá ser respeitado para evitar a ocorrência de recaída ou recorrência dos sintomas que motivaram o início do tratamento.

O principal risco da interrupção precoce é o paciente apresentar novamente a sintomatologia que motivou o início do tratamento. Por isso a importância de se realizar qualquer mudança no esquema terapêutico com a anuência do seu médico.

Por fim, lembro que a medicação é um braço do tratamento e age muitas vezes de forma complementar. Compõe, junto com outras áreas, (psicologia, terapia ocupacional, musicoterapia, educação física, nutrição,…) um modo de tratar. Devem ainda serem utilizados apenas nos casos que envolvam sintomatologia moderada a grave. Reserva-se aos casos de menor gravidade outros tipos de terapia.

Dr. João Luiz da Fonseca Martins é psiquiatra e responsável técnico da clínica psiquiátrica UNIICA – Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida.

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