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Entenda melhor a esquizofrenia

6 de abril de 2016

Quem acompanha as tramas da telinha já teve contato com vários atores que interpretavam algum personagem esquizofrênico. A constante preocupação em retratar essa doença não é à toa, pois quem atravessa uma crise psicótica pode ter alucinações, delírios, mudanças comportamentais e pensamento confuso, oferecendo riscos a quem está próximo e a si próprio. Porém, nem sempre essas representações são fiéis aos quadros de saúde que o indivíduo esquizofrênico apresenta, afinal, o que é esquizofrenia?

Apesar de a medicina ainda não ter identificado as causas do transtorno, é preciso entender que o indivíduo não desenvolve a doença psicótica repentinamente, ou devido apenas a problemas na estrutura familiar, como muitas vezes é representado nas tramas, mas sim que o esquizofrênico desenvolve as tendências ainda no útero materno. O Gerente Médico da Clínica Psiquiátrica UNIICA, Dr. Elio Luiz Mauer explica que a doença é identificada na adolescência e início da vida adulta e que muitas vezes são pessoas brilhantes. “Por vezes o indivíduo é aprovado nas mais renomadas instituições, tem as melhores colocações em vestibulares, mas após algum tempo e após crises não recupera a capacidade intelectual”.

A doença pode se manifestar de várias formas: “os mais comuns e conhecidos sintomas são as alucinações e delírios. O indivíduo esquizofrênico ouve vozes e pode criar um complexo de perseguição, além dos problemas de relacionamento e o isolamento social”, pontua Mauer. Por consequência, o indivíduo desenvolve dificuldade para lidar com conflitos, mudanças de hábitos e com perdas, o que pode gerar conflitos mentais e graves surtos. “Essas crises se caracterizam por mudanças bruscas no comportamento e no pensamento, causando danos a si próprio ou à família, e devem ser evitadas ao máximo”, conta o Gerente Médico ao explicar que as crises determinam lesões cerebrais, o que agrava cada vez mais o quadro psicótico do paciente, e todo o ambiente deve ser preparado para que isso seja evitado. “Por isso a importância do acompanhamento psiquiátrico”, completa.

Se a medicina ainda não descobriu a cura da esquizofrenia, o indivíduo deve ficar internado sempre? Mito! Ao ser diagnosticado com esquizofrenia é importante que o indivíduo busque tratamento psiquiátrico e sua família orientação profissional de como lidar com a situação. “É necessário um tratamento medicamentoso e acompanhamento contínuo, dessa forma o esquizofrênico pode ter um convívio social normal, a internação só é necessária em casos de crises agudas ou em situações em que o indivíduo oferece risco a si próprio e a outros”, explica Mauer ao defender que o tempo de internação deve compreender apenas o período de crise. Apesar disso, Dr. Elio explica, “o uso de antipsicóticos é permanente, mas garante uma boa vida social e pessoal. Há vários esquizofrênicos caminhando ao nosso lado na rua e ninguém percebe”.

Como em toda doença, a esquizofrenia exige também o apoio e comprometimento dos familiares. “Os desencadeamentos da doença afetam a família e sua rotina, o esquizofrênico é dependente do acompanhamento mais próximo, por isso é preciso que a família tenha a orientação necessária para lidar com a situação de maneira que contribua no tratamento”, explica Mauer. Mas atenção! Os primeiros sintomas da doença são sutis, é importante que os familiares, ao detectar qualquer um deles, busquem ajuda psiquiátrica o mais rápido possível, afim de evitar possíveis crises e por consequência o agravamento da doença.

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