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Drogas, quais riscos você está disposto a correr?

17 de maio de 2016

29 outubro, 2015 às 17:06  |  por equipe do Blog Maluco Beleza

Reportagens e matérias sobre drogas costumam tratar do lado sombrio, das consequências negativas do uso de substância. Os jovens ouvem esse discurso repetitivo e, quando tem o primeiro contato com a droga, a realidade é outra: balada, pessoas bonitas, “descoladas”, amigos usando drogas, enfim, um mundo alegre e convidativo envolvendo o uso de drogas. Um mundo onde o objetivo é o prazer. Junte isso ao imediatismo, típico da mente juvenil.

A informação é uma importante ferramenta para os jovens quando o assunto é drogas. O que precisamos é que essa informação chegue da forma mais honesta possível. Isso inclui conversar abertamente e de forma clara sobre o tema mostrando os aspectos positivos e negativos para que este ser humano possa fazer suas escolhas de forma saudável. Saber fazer escolhas é algo fundamental para tudo em nossas vidas. Importante ressaltar que essas escolhas trarão as respectivas consequências.

Algo comum nas famílias de usuários de substâncias (drogas e ou/álcool) é que o indivíduo escolhe se manter no vício e os familiares tendem a arcar com as consequências dessa escolha. Exemplos: a avó que começa a pagar a pensão do neto para que o filho não seja preso, a esposa que começa a arcar com os custos e responsabilidades da casa porque o marido bebe. Conclusão do usuário (consciente ou inconsciente): “Usar a substância me dá prazer. Se eu parar terei que deixar de sentir esse prazer, acordar cedo, trabalhar, ouvir bronca de chefe’’.

Quais motivos esse indivíduo tem para parar? Qualquer mudança que fazemos em nós mesmos vem do reconhecimento de um prejuízo. Não basta ter o prejuízo, tem que reconhecer o mesmo. O reconhecimento desse prejuízo varia muito entre cada indivíduo. Alguns precisam ter uma ameaça de prejuízo para se mobilizar para uma mudança. Outros precisam perder tudo para começar a mudar. Isso serve para tudo na vida, não só para o uso de substâncias.

Essas constatações não significam que dependência química é sinônimo de malandragem, preguiça, maldade. Dependência é uma doença .O dependente pode optar por parar com o uso.  Existe tratamento. Sendo assim, o apoio da família é benéfico (e fundamental) quando o indivíduo busca esse tratamento. Em contrapartida, todo “apoio” oferecido quando o indivíduo escolhe manter-se no vício, pode ser um incentivo para a manutenção deste. Impor limites é uma manifestação de amor.

Sendo assim, tratemos do assunto de forma realista, verdadeira, direta: beber e usar drogas dá prazer. Para os que gostam de beber segue a orientação: “Bebam pouco para beber sempre”. Aos que optarem pelo uso de drogas, saibam que o uso lhes trará sempre algum prejuízo.  Poderão manter-se como usuários recreativos,com um uso ocasional, sem prejuízos significativos laborais ou poderão tornar-se  usuários nocivos ou dependentes. A questão é que existe uma linha tênue entre um usuário recreativo e um dependente. Crises, que fazem parte dos ciclos da vida, podem servir de gatilho para que se compense um sofrimento com algo que traga prazer, como o uso de substância. Nesse momento – e em outros mais- poderá se tornar um dependente com todos os prejuízos decorrentes deste padrão de uso. Além disso, o uso de drogas também pode servir de gatilho para diversos transtornos psiquiátricos e, antes que os defensores da maconha se pronunciem, saibam que esta é uma das piores drogas para desencadear quadros de Esquizofrenia e Transtorno do Humor Bipolar. Não se trata de opinião. É constatação científica.

Viver envolve correr riscos. A questão é: “Quais riscos você está disposto a correr?”.  Um prazer imediato justifica as possibilidades de tamanhas perdas? Os possíveis ganhos superam os possíveis prejuízos? Escolhas… A vida é feita delas.

 

Dra. Carla Gaiger

Psiquiatra da clínica UNIICA

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