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Depressão pós-parto: O que pode ter de triste na chegada do bebê?

6 de abril de 2016

Durante a gravidez, o corpo da mulher se transforma. Passa por uma verdadeira revolução de hormônios, que agem diretamente no sistema nervoso central. Acontece que, depois do parto, o nível dessas substâncias diminui muito, abalando a mãe tanto psicológica quanto emocionalmente e traz uma mistura de sensações: alegria, incertezas e até tristeza.

Entretanto, nem toda a tristeza após o nascimento do bebê é depressão pós-parto. Estudos mostram que de 50% a 80% das mulheres apresentam tristeza ou irritabilidade, em geral, a partir do terceiro dia depois do nascimento. No entanto, esses sentimentos duram, no máximo, 15 dias e somem, sendo associados à carga hormonal ou à adaptação de novas e importantes responsabilidades.

A doença

A depressão pós-parto é uma doença que afeta não só a relação da mãe com o filho, mas toda a vida da mulher. Essa tristeza intensa começa algumas semanas depois do nascimento e deixa a paciente sem condições de cuidar do bebê. Mais do que isso, ela passa a não dar conta de suas atividades diárias. E o número de mulheres que desenvolve esse transtorno é bem expressivo: em torno de 10% a 15% delas têm episódios da doença.

A mulher deprimida perde o interesse por aquilo que ela costumava gostar, inclusive entra em crise com a profissão. A licença maternidade chega ao fim e ela não demonstra motivação para reassumir o cargo. Além disso, sofre com o sono, a falta de energia, de interesse pelo marido e desejo sexual e também alterações no apetite, comendo muito ou pouco. Em alguns casos, há registros de ataques de pânico e comportamentos obsessivos, especialmente em relação à criança, como agasalhá-la demais ou verificar se ela está respirando a todo momento.

Não é só a deficiência hormonal que está envolvida na depressão pós-parto. Os sintomas do estado depressivo variam na maneira e na intensidade com que se manifestam, pois dependem do tipo de personalidade e da própria história de vida da mãe.  Quem já apresentou quadros depressivos anteriormente, no pós-parto ou durante a gravidez, precisa ficar atenta, pois há a possibilidade de repetição. As mães que tiveram depressão pós-parto de um filho também têm chances de reprisar o quadro em outra gestação.

Não há como evitar a depressão pós-parto. A doença pode se desenvolver até mesmo em mulheres sem antecedentes de depressão, que planejaram a gravidez e não passaram por complicações na gestação ou no parto. É mais raro, mas o homem também pode apresentar o quadro de depressão, mesmo que menos intenso. Neste caso, a origem é a sensação de exclusão diante da relação mãe-bebê.

Mesmo que ainda não seja comprovado, a amamentação é importante para fortalecer os laços de mãe e filho, inspira o sentimento materno e de proteção, diminuindo assim os efeitos da depressão.

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