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A dependência por 8cm

13 de setembro de 2016

Dr. Gabriel Monich Jorge 

Faremos uma pausa nessa correria de estudos e trabalho, e alguém aceita um cafezinho?

E após um cafezinho, deu vontade de fumar aquele cigarro? Se sim, o que será que aconteceu para uma pessoa associar este momento agradável do café ao tabagismo? Vamos pensar como funcionam as pessoas. O homem  têm vários sistemas ligados que coordenam as funções do dia-a-dia. Funções fundamentais como acordar, reproduzir, sentir fome e se alimentar e dormir. E temos tudo isso e outros mecanismos para nos dar recompensa física e mental. Ao gerar este ciclo de recompensas, a dependência se ativa e temos as reações físicas e/ou mentais ao fazer uso do cigarro ou nos sintomas de abstinência do mesmo.

Ouvimos de nossos amigos(as) ou companheiro(a) algo assim: “Eu preciso daquele chocolate após o almoço”, “Como sair sem beber com os amigos ?” “Nada acompanha mais o álcool ou o café como um cigarro”, “Se não fumar um cigarro, vou ficar louco!”

As pessoas sentem o prazer ou a necessidade proporcionada pelo fumo. Deste modo, o cérebro, que funciona através de várias redes que se comunicam entre si e com outras substancias, dão um sinal. No tabaco encontramos uma substancia chamada nicotina que mantém “aceso ou ligado” esta sensação. Com o passar do tempo pode aumentar a demanda de “sinais”, deixando a pessoa tolerante a dose diária, buscando o aumento da quantidade de cigarros por exemplo.

E quais questões agravam o uso esporádico e leve para a dependência do cigarro? Histórico de familiares já com esta dependência, locais que propiciam essa cultura do fumo e hábitos pessoais pouco saudáveis são importantes fatores que contribuem para a dependência do tabaco.

Com isso, veio a Lei antifumo em ambientes públicos fechados, em vigor desde dezembro de 2014, e outras campanhas contra o tabagismo. Estas tiveram um papel importante para conscientizar a sociedade contra esse hábito danoso e reduzir o consumo. Ações estas que mudaram sim os dados estatísticos, com uma redução importante dos atualmente dependentes.

E neste dia 29 de agosto, teremos o Dia Nacional de Combate ao Fumo com o objetivo de sensibilizar e mobilizar a população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. Atualmente surge a necessidade também de promover a conscientização dos jovens que acabam tendo o primeiro contato com o tabaco a partir do narguilé ou cachimbo d’ água. Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma sessão de narguilé leva de 20 a 80 minutos, o que corresponde a exposição de todas as substâncias tóxicas presentes na fumaça de 100 a 200 cigarros de uma só vez, além de ser uma forma de iniciação do jovem ao tabagismo.

E se tivermos familiares ou se por acaso desejarmos parar de fumar, será importante buscar médicos psiquiatras ou pneumologistas, e uma equipe da área de saúde da família para auxiliar no controle dos sintomas de abstinência. Saiba que possivelmente haverão  “escorregões ou recaídas” durante as tentativas de abstinência. No entanto, elas devem ser encaradas como formas de aprendizado para que não ocorram os mesmos erros novamente. Podemos aprender muito com a Oração da Serenidade escrita por Reinhold Neibuhr :

Concedei-me, Senhor a serenidade necessária

Para aceitar as coisa que não posso modificar.

Coragem para modificar aquelas que posso e

Sabedoria para conhecer a diferença entre elas.

Vivendo um dia de cada vez

Desfrutando um momento de cada vez

Aceitando que as dificuldades constituem o caminho à paz

Aceitando, como Ele aceitou

Este mundo tal como é, e não como eu queria que fosse

Confiando que Ele Acertará tudo

Contanto que eu me entregue à Sua vontade

Para que eu seja razoavelmente feliz nesta vida

E supremamente Feliz com Ele eternamente na próxima.

 

Enfim, a vida segue …

… com trabalho e com pausas para então ficar somente no cafezinho!

 

Dr. Gabriel Monich Jorge é psiquiatra da UNIICA – Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida.

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